Modulação Hormonal em Odontologia?

É preciso muita calma para analisar um assunto super importante que vem surgindo em grupos de Facebook e What´s App. Vamos tentar deixar a emoção de lado e pensar racionalmente. As discussões são calorosas, polarizadas e apaixonadas onde um lado defende com unhas e dentes (apesar de não gostar mais tanto de dentes) o “direito” do cirurgião dentista de atuar na modulação hormonal, enquanto que o outro lado condena veementemente essa atuação. Até onde queremos chegar? Quais os riscos para os pacientes? Vamos discorrer sobre esse assunto atual e cabeludo. 

Propaganda veiculada em rede social por cirurgião dentista

Há alguns meses os dentistas ganharam novas áreas de atuação por meio de uma resolução do Conselho Federal de Odontologia. Vem surgindo o movimento da Harmonização Facial que está deixando a Medicina de cabelo em pé. Costumo concordar com os médicos atônitos porque vejo o exagero e desrespeito na hora de alguns dentistas divulgarem seus serviços nas redes sociais. Recorrentes aplicações de Toxina Botulínica e Bichectomias sendo transmitidas ao vivo pelo Instagram, “Bichectomia Day”, “Black Friday”, fotos de pacientes com a pele sangrando após micro-agulhamento, fios de sustentação e etc.

Eu sou um dentista um pouco mais conservador. Minha opinião é que todos esses tratamentos estéticos ou não com uso de toxina botulínica e preenchimento podem ser realizados por dentistas sempre que eles tiverem relação com a saúde bucal ou tratamento odontológico. Como um complemento, um toque final. A linha que divide esse tipo de indicação é tênue, eu sei. Agora, é preciso ter limite. Se a foto acima não for fake, anunciar tratamento de cansaço e falta de libido está bem longe da área de atuação do dentista. Bem longe.

Eu acho muito interessante um dentista ter conhecimento sobre hormônios. Fisiologia. Isso complementa nossa visão e diagnóstico. Pedir e interpretar exames nessa área também é nossa prerrogativa. Identificar um desbalanço hormonal é de suma importância para o cirurgião dentista. Porém, na hora de tratar, eu encaminho para o médico endocrinologista. Do mesmo jeito acontece quando identificamos um paciente diabético ou portador de qualquer outra doença de base, seja por sintomas que se manifestam na boca, seja por interpretação de exames laboratoriais que pedimos aos nossos pacientes.

Esse tipo de propaganda é munição para um Conselho de Medicina vir para cima da Odontologia. É “fogo amigo”. Tiro no pé. Os próprios médicos clínicos gerais indicam pacientes com problemas hormonais aos endocrinologistas porque são espertos e sabem quantos problemas uma “modulação hormonal” mal realizada pode causar. Mexer com hormônios não é tarefa simples. São inúmeros efeitos adversos e colaterais. 

 

O termo “Modulação Hormonal” não é bem visto nem dentro da Medicina, se levarmos em consideração uma nota de esclarecimento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do final de 2016. Temos um grande nova área da Harmonização Facial para explorar e acredito que ainda temos tantos problemas bucais para resolver na nossa população que não é necessário enveredar por águas obscuras que podem configurar invasão de áreas ou ainda pior, trazer consequências ruins para os pacientes. 

Luiz Rodolfo

Equipe Dicas Odonto

One Response to Modulação Hormonal em Odontologia?

  1. Marius Botelho says:

    Vale à pena frisar ainda que eu não concordo com a dita propaganda de curso de jeito nenhum. Um absurdo. Falta-lhe e muito o BOM SENSO.
    A MODULAÇÃO HORMONAL pode ser orientada pelo dentista maravilhosamente, se for feita da forma correta e FISIOLÓGICA.
    Mas não se iluda quem acha que o serviço é fácil. Exige do profissional capacitação ininterrupta e perpétua.
    Definitivamente não é coisa para curiosos de final de semana.
    Mais uma vez é fundamental afirmar que o acumulo de conhecimento nessa área INTEGRATIVA é primordial para que o dentista consiga se relacionar com profissionais adeptos da mesma linha de pensamento por todos os lados, para que não hajam desgastes desnecessários.

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